Artigo Científico

Tendências e distribuição dos programas de residência médica pediátrica no Brasil, na última década

Publicado em: 2025

Autores

  • Marcelle Machado Mendes
    Escola Superior de Ciências da Saúde, Brazil
  • Levi Durães Batista da Silva
    Escola Superior de Ciências da Saúde, Brazil
  • Alexandre Peixoto Serafim
    Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Brasil; Hospital Materno-Infantil de Brasília, Brasil
  • Renata Orlandi Rubim
    Escola Superior de Ciências da Saúde, Brazil; Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Brasil

Resumo

RESUMO Introdução: A residência médica em pediatria passou por transformações significativas nos últimos anos, refletindo mudanças sociais e políticas de saúde. Além da formação técnica, essa especialização enfatiza uma abordagem abrangente do cuidado pediátrico, integrando aspectos de prevenção de doenças e promoção da saúde. Compreender as tendências de crescimento e a procura pela especialização em pediatria é crucial para a criação de políticas públicas, de modo a antecipar impactos na força de trabalho médica. Objetivo: Este estudo examina as tendências e a distribuição dos programas de residência médica em pediatria e suas áreas de atuação no Brasil, entre 2015 e 2024. Método: Foram utilizados como base para a pesquisa os dados registrados no Sistema da Comissão Nacional de Residência Médica (SisCNRM), acessível a partir de consulta pública na Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação (Fala.BR). Resultado: No Brasil, a residência médica em pediatria cresceu significativamente na última década, totalizando 52.978 vagas oferecidas e um aumento de 79% entre 2015 e 2024. Apesar do avanço, ainda há um número significativo de vagas ociosas, com um acúmulo de 14.499 vagas sem candidatos. As vagas seguem concentradas nos grandes centros urbanos, com 53,00% delas preenchidas na região Sudeste, em 2024. No mesmo período, nota-se um aumento de oportunidades para subespecialidades em 22,87%. Destaca-se a manutenção da neonatologia como a área de atuação mais procurada, seguida da medicina intensiva e neurologia pediátricas. A emergência pediátrica ganhou proeminência recente, bem como a recente incorporação da medicina do adolescente como área de atuação reconhecida. Conclusão: Há desafios persistentes na distribuição equitativa e no preenchimento de vagas em pediatria e suas áreas de atuação, indicando que a ampliação das oportunidades nem sempre é acompanhada de adesão aos programas. A falta de pediatras nos serviços de saúde evidencia uma fragilidade no sistema e compromete a qualidade da assistência prestada à saúde infantil. A evolução das necessidades de saúde da população pediátrica requer análise contínua para orientar decisões políticas em educação e saúde. Nesse contexto, torna-se necessária a implementação de ações estratégicas voltadas à formação de especialistas em locais de maior carência, como forma de ampliar o acesso a cuidados pediátricos de qualidade.

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